Liberalismo versus Intervencionismo.

16 03 2008

    Volto a trazer este tema que havia publicado há uns meses atrás, ainda quando estava na plataforma do SAPO.

    Uma das opções que qualquer Estado tem de tomar prende-se com a direcção da economia. E é neste ponto que tanto à direita como à esquerda, os governos necessitam de uma reflexão aprofundada, deverá ser a economia intervencionada pelo Estado ou deve este seguir uma política de distanciamento? Como estabelecer limites à acção do Estado, a fronteira entre as obrigações do Estado para com a sociedade e a do estrangulamento da actividade económica? Será à esquerda inevitável um intervencionismo pleno? E à direita, é possível um Estado com uma intervenção nula? E num regime Comunista, haverá lugar à participação privada na economia ou deverá ser o estado a comandar todos os sectores, desde as grandes companhias essenciais ao pequeno comércio?

    Convido-vos a debater este assunto no fórum da Intercom.





Jornalismo e jornalistas.

15 03 2008

    Media. Sociedade da Informação. Infoexclusão.

    São palavras do quotidiano da análise da sociedade moderna, e não adianta desmentir, a informação chega-nos de toda a parte e informação não é necessariamente sinónimo de conhecimento, pode ser uma ferramenta (e poderosa) para o adquirir, contudo, a informação como tudo na vida tem prós e contras. O que se entende por uma sociedade da informação? Uma comunidade bem informada? Ou… Excessivamente informada?

    Nas últimas décadas, tem se assistido a uma evolução positiva e acelerada da quantidade de informação que é “transaccionada” entre os países e as cadeias noticiosas. Hoje as notícias valem, e valem bem, todas as cadeias querem ser as primeiras a dar a notícia ou a ter um exclusivo e por isso pagam a peso de ouro pela oportunidade de conseguirem aqueles cinco minutos de glória, aquela reportagem que todos aguardam, o exclusivo de entrevista ao indivíduo do momento. Por todo o lado, surgem os flashes e os cliques das máquinas fotográficas, um emaranhado de cabos, de vídeo e som, gruas de câmaras, operadores de imagem, jornalistas, enfim. A guerra épica do um (o entrevistado) contra todos (o exército Media), quanto mais “interessante” (ou polémico) maior é o exército de jornalistas que tentam “sacar” o máximo de informação e ao mesmo tempo que os vizinhos da cadeia de informação ao lado obtenham menos. E depois por detrás disto, uma autêntica Bolsa Internacional de Informação é negociada entres estações e cadeias noticiosas de todo o mundo. Estas “transacções” levam a informação a todo o mundo, de poucas horas a escassos minutos. Lembram-se das guerras do golfo? E qual um big brother bélico? Assistir no conforto do seu sofá ao deflagrar da guerra no Iraque como se do apito inicial de um árbitro se tratasse!

    Pois é! É isto que as cadeias nos trazem. Por um lado é bom, dá-nos uma perspectiva em tempo real do que se passa pelo mundo. Agora o problema é o momento de tratar e gerir a informação. Desta forma somos “escravos” da vontade do editor, e como tal só lemos ou ouvimos o que ele nos quiser dar, é muito difícil gerir a imparcialidade nos órgãos informativos e isso vê-se! Basta dar uma olhadela pelas estatísticas dos assuntos abordados nos noticiários e jornais. Ainda para mais se for privado custa dinheiros e convenhamos não vamos querer “publicidade” (leia-se notícias) àqueles que não são dos nossos (leia-se nos arranjam dinheirito ou pelo menos uns tachos ou umas “compensações”). É aí que nos deparamos com o seguinte: há sem dúvida um superavit informativo, mas mais grave do que isso é que coloca umas palas nos olhos de quem as lê. Os assuntos do dia são sempre comentados ora pelo PS ora pelo PSD, a economia idem, etc. A Sociedade Independente de Comunicação (SIC), cujo dono é Francisco Pinto Balsemão nunca iria dizer bem do BE ou do PCP, porque justamente quem a dirige é um destacado membro do Partido Social Democrata. A RTP está sempre a favor do PS ou daquele que estiver no governo. E isto entra pelos jornais a dentro. Hoje utiliza-se a comunicação como forma de culto aos seus dirigentes e á direita.

    Felizmente a internet veio dar uma lufada de ar fresco nesta prisão intelectual e cultural que é a informação. Onde toda a gente pode expressar aquilo que sente livremente, sem estar dependente de donos como Balsemão entre outros. Pondera-se agora talvez uma possível libertação das pessoas do claro domínio do PSD e do PS sobre os órgãos de comunicação, mas isso ainda está muito longe. E sem esquecer que onde há dinheiro, há sempre um interesse maior que o colectivo, e é por isso que os grandes grupos de Media conseguem esta manipulação, e ao mesmo tempo manter as pessoas “estúpidas” e “agarradas” aos seus canais.

    Por último, em relação a um possível quinto canal generalista, será algum comunista a geri-lo? Está claro que não, não seria bom para muita gente!