Media. Sociedade da Informação. Infoexclusão.
São palavras do quotidiano da análise da sociedade moderna, e não adianta desmentir, a informação chega-nos de toda a parte e informação não é necessariamente sinónimo de conhecimento, pode ser uma ferramenta (e poderosa) para o adquirir, contudo, a informação como tudo na vida tem prós e contras. O que se entende por uma sociedade da informação? Uma comunidade bem informada? Ou… Excessivamente informada?
Nas últimas décadas, tem se assistido a uma evolução positiva e acelerada da quantidade de informação que é “transaccionada” entre os países e as cadeias noticiosas. Hoje as notícias valem, e valem bem, todas as cadeias querem ser as primeiras a dar a notícia ou a ter um exclusivo e por isso pagam a peso de ouro pela oportunidade de conseguirem aqueles cinco minutos de glória, aquela reportagem que todos aguardam, o exclusivo de entrevista ao indivíduo do momento. Por todo o lado, surgem os flashes e os cliques das máquinas fotográficas, um emaranhado de cabos, de vídeo e som, gruas de câmaras, operadores de imagem, jornalistas, enfim. A guerra épica do um (o entrevistado) contra todos (o exército Media), quanto mais “interessante” (ou polémico) maior é o exército de jornalistas que tentam “sacar” o máximo de informação e ao mesmo tempo que os vizinhos da cadeia de informação ao lado obtenham menos. E depois por detrás disto, uma autêntica Bolsa Internacional de Informação é negociada entres estações e cadeias noticiosas de todo o mundo. Estas “transacções” levam a informação a todo o mundo, de poucas horas a escassos minutos. Lembram-se das guerras do golfo? E qual um big brother bélico? Assistir no conforto do seu sofá ao deflagrar da guerra no Iraque como se do apito inicial de um árbitro se tratasse!
Pois é! É isto que as cadeias nos trazem. Por um lado é bom, dá-nos uma perspectiva em tempo real do que se passa pelo mundo. Agora o problema é o momento de tratar e gerir a informação. Desta forma somos “escravos” da vontade do editor, e como tal só lemos ou ouvimos o que ele nos quiser dar, é muito difícil gerir a imparcialidade nos órgãos informativos e isso vê-se! Basta dar uma olhadela pelas estatísticas dos assuntos abordados nos noticiários e jornais. Ainda para mais se for privado custa dinheiros e convenhamos não vamos querer “publicidade” (leia-se notícias) àqueles que não são dos nossos (leia-se nos arranjam dinheirito ou pelo menos uns tachos ou umas “compensações”). É aí que nos deparamos com o seguinte: há sem dúvida um superavit informativo, mas mais grave do que isso é que coloca umas palas nos olhos de quem as lê. Os assuntos do dia são sempre comentados ora pelo PS ora pelo PSD, a economia idem, etc. A Sociedade Independente de Comunicação (SIC), cujo dono é Francisco Pinto Balsemão nunca iria dizer bem do BE ou do PCP, porque justamente quem a dirige é um destacado membro do Partido Social Democrata. A RTP está sempre a favor do PS ou daquele que estiver no governo. E isto entra pelos jornais a dentro. Hoje utiliza-se a comunicação como forma de culto aos seus dirigentes e á direita.
Felizmente a internet veio dar uma lufada de ar fresco nesta prisão intelectual e cultural que é a informação. Onde toda a gente pode expressar aquilo que sente livremente, sem estar dependente de donos como Balsemão entre outros. Pondera-se agora talvez uma possível libertação das pessoas do claro domínio do PSD e do PS sobre os órgãos de comunicação, mas isso ainda está muito longe. E sem esquecer que onde há dinheiro, há sempre um interesse maior que o colectivo, e é por isso que os grandes grupos de Media conseguem esta manipulação, e ao mesmo tempo manter as pessoas “estúpidas” e “agarradas” aos seus canais.
Por último, em relação a um possível quinto canal generalista, será algum comunista a geri-lo? Está claro que não, não seria bom para muita gente!
Quando se pensar em sobre o que é ser comunista, quase de imediato salta à cabeça das pessoas é o seguinte: o comunismo praticamente não existe, é um regime obscuro, decadente, do século passado, utópico, etc… Mas felizmente há alguns que sabem distinguir as coisas, e vêem-no como um outro sistema económico, uma outra via ou simplesmente uma outra maneira de conduzir a vida em sociedade, e claro, não me refiro a quem é comunista, se por um lado a maioria dos “não-comunistas” estigmatiza o comunismo, por outro há inúmeros que conseguem ver nele alguns pontos fortes, mesmo quem siga somente à direita. Então o que é ser comunista? Quando digo a alguém que sou comunista, muitos olham para mim e fazem aquela cara de conhecedores da vida, e dizem, “isso é só uma fase”! Bem, ainda não prevejo o futuro, mas não me vejo a “fugir” a esta ideologia… Pelo menos de forma brusca, como certas pessoas o fizeram. Mas como dizia, olham-me como uma pessoa do contra, se calhar é verdade, há muitas coisas que sou contra e poucas que sou a favor, mas enfim, o que penso é que neste país, já se perdeu o espírito da autêntica liberdade, dos dias seguintes ao 25 de Abril, da reforma agrária, das nacionalizações e das grandes manifestações. Hoje ninguém se preocupa com o outro, para que ir às manifestações se os bufos contam tudo, para quê ser solidário para com os trabalhadores das fábricas a fechar, para quê refilar se ninguém ouve, ??? Não a mim não me conformam, apenas tenho pena de “irritar” as pessoas que passam ao pé de mim, e de lhes falar um cento de vezes, nos podres do regime, da bagunça do governo. Aeroportos, tratados, enfim… coisas inúteis num país à beira do colapso onde o salário real decresce e o salário mínimo nacional são 84 contos e quinhentos. Mas enfim, que apenas estes me oiçam, se de certo, alguma coisa há de se espalhar espero eu, enquanto o Latim não me faltar sempre dá para juntar ao Inglês técnico que graça por este país fora. É moderno… É moderno, dizem todos, o futuro agora é ignorarmo-nos mutuamente, ver pessoas a pedir e a serem despedidas, é moderno ser capitalista, jogar na bolsa, ter acções disto e daquilo, que ao fim e ao cabo dispersar-se hão por entre os casacos e gravatas comprados nos chineses às escondidas das outras pessoas (para não parecer mal), e que depois desvalorizam e lá se vão mais uns trocos enquanto o Sr. Berardo arrecada mais uns milhões. É tudo moderno! Ser-se cego e fingir tudo é o futuro, a modernidade de amanhã hoje.
Uma vez mais a Sr.ª. Ministra da Educação, vem presentear-nos com o discurso socrático de que o governo dá mais um importante passo na consolidação do ensino em Portugal. Depois de se avançar para a mercantilização do ensino, vem o governo do PS, afirmar que quer duplicar até 2009 abrangidos pela acção social escolar, segundo a ministra, a maioria dos alunos não ingressava no secundário por razões económicas e desajustamento das ofertas no ensino aos alunos. Prometendo o alargamento dos cursos tecnológicos e profissionais e com mais apoios aos alunos.
Hoje em dia, o mundo é regido pela interacção entre produtores, distribuidores e consumidores, realizada sobre a forma de mercado, não o edifício mas a transacção em si, onde compradores e vendedores cruzam os seus interesses, a sociedade tende a desprezar a moeda embora deseje possui-la, e por arrasto tudo que diz respeito à economia é visto como algo que providencia a riqueza a uns em detrimento de outros. Mas a economia enquanto ciência é muito mais do que aparenta, o mal da sociedade e da injustiça na distribuição não é a economia que emana, é o sistema económico. Com efeito, poderemos falar na história da moeda, desde o início o Homem sempre teve necessidades e sempre teve de as satisfazer, sendo a Humanidade uma espécie social, organizada na vida em colectivo, o Homem aprendeu a viver numa comunidade sujeito às regras gerais da sociedade onde se insere, até aí tudo bem. As primeiras comunidades tornaram-se sedentárias e a desenvolver outras actividades, nomeadamente o aperfeiçoamento das técnicas quer de caça quer agrícolas, para isso era necessário a produção de utensílios, ao longo dos tempos o Homem foi aperfeiçoando-se e nasciam as actividades não ligadas à obtenção de alimento. Inicia-se a troca dentro da comunidade [Bem – Bem]. Numa fase mais avançada o volume de objectos dados e mais tarde os serviços realizados temem contrapartida de ser pagos, trocam-se bens (todo e qualquer objecto) e serviços, mas torna-se cada vez mais impossível satisfazer tão grande variedade de interesses, porque afinal, para conseguir o que se quer não basta dirigir a que os forneça era necessário que quem os fornecesse também quisesse o que nós teríamos para oferecer em troca. O Homem “aprendeu” que se houvesse um bem que fosse generalizado e que todos o aceitariam não seria necessário haver um total acordo de interesse. Para esse papel foram usados o sal entre outros bens valiosos até que os metais preciosos se encarregam dessa tarefa, estava idealizada a troca indirecta [Bem – Dinheiro – Bem]. A partir daí segue o rumo da moeda. Até aos nossos dias, em que cada um dos intervenientes do processo realiza sempre uma troca indirecta, produz-se vende-se (troca por dinheiro) e com o lucro compra-se (troca do novo bem pelo dinheiro ganho). A diferença reside no sentido de que hoje quase nem usamos a moeda metálica, usamos cartões, cheques transferências electrónicas, etc., mas a essência continua.

