Jornalismo e jornalistas.

15 03 2008

    Media. Sociedade da Informação. Infoexclusão.

    São palavras do quotidiano da análise da sociedade moderna, e não adianta desmentir, a informação chega-nos de toda a parte e informação não é necessariamente sinónimo de conhecimento, pode ser uma ferramenta (e poderosa) para o adquirir, contudo, a informação como tudo na vida tem prós e contras. O que se entende por uma sociedade da informação? Uma comunidade bem informada? Ou… Excessivamente informada?

    Nas últimas décadas, tem se assistido a uma evolução positiva e acelerada da quantidade de informação que é “transaccionada” entre os países e as cadeias noticiosas. Hoje as notícias valem, e valem bem, todas as cadeias querem ser as primeiras a dar a notícia ou a ter um exclusivo e por isso pagam a peso de ouro pela oportunidade de conseguirem aqueles cinco minutos de glória, aquela reportagem que todos aguardam, o exclusivo de entrevista ao indivíduo do momento. Por todo o lado, surgem os flashes e os cliques das máquinas fotográficas, um emaranhado de cabos, de vídeo e som, gruas de câmaras, operadores de imagem, jornalistas, enfim. A guerra épica do um (o entrevistado) contra todos (o exército Media), quanto mais “interessante” (ou polémico) maior é o exército de jornalistas que tentam “sacar” o máximo de informação e ao mesmo tempo que os vizinhos da cadeia de informação ao lado obtenham menos. E depois por detrás disto, uma autêntica Bolsa Internacional de Informação é negociada entres estações e cadeias noticiosas de todo o mundo. Estas “transacções” levam a informação a todo o mundo, de poucas horas a escassos minutos. Lembram-se das guerras do golfo? E qual um big brother bélico? Assistir no conforto do seu sofá ao deflagrar da guerra no Iraque como se do apito inicial de um árbitro se tratasse!

    Pois é! É isto que as cadeias nos trazem. Por um lado é bom, dá-nos uma perspectiva em tempo real do que se passa pelo mundo. Agora o problema é o momento de tratar e gerir a informação. Desta forma somos “escravos” da vontade do editor, e como tal só lemos ou ouvimos o que ele nos quiser dar, é muito difícil gerir a imparcialidade nos órgãos informativos e isso vê-se! Basta dar uma olhadela pelas estatísticas dos assuntos abordados nos noticiários e jornais. Ainda para mais se for privado custa dinheiros e convenhamos não vamos querer “publicidade” (leia-se notícias) àqueles que não são dos nossos (leia-se nos arranjam dinheirito ou pelo menos uns tachos ou umas “compensações”). É aí que nos deparamos com o seguinte: há sem dúvida um superavit informativo, mas mais grave do que isso é que coloca umas palas nos olhos de quem as lê. Os assuntos do dia são sempre comentados ora pelo PS ora pelo PSD, a economia idem, etc. A Sociedade Independente de Comunicação (SIC), cujo dono é Francisco Pinto Balsemão nunca iria dizer bem do BE ou do PCP, porque justamente quem a dirige é um destacado membro do Partido Social Democrata. A RTP está sempre a favor do PS ou daquele que estiver no governo. E isto entra pelos jornais a dentro. Hoje utiliza-se a comunicação como forma de culto aos seus dirigentes e á direita.

    Felizmente a internet veio dar uma lufada de ar fresco nesta prisão intelectual e cultural que é a informação. Onde toda a gente pode expressar aquilo que sente livremente, sem estar dependente de donos como Balsemão entre outros. Pondera-se agora talvez uma possível libertação das pessoas do claro domínio do PSD e do PS sobre os órgãos de comunicação, mas isso ainda está muito longe. E sem esquecer que onde há dinheiro, há sempre um interesse maior que o colectivo, e é por isso que os grandes grupos de Media conseguem esta manipulação, e ao mesmo tempo manter as pessoas “estúpidas” e “agarradas” aos seus canais.

    Por último, em relação a um possível quinto canal generalista, será algum comunista a geri-lo? Está claro que não, não seria bom para muita gente!





Comunismo…

18 12 2007

    Apenas umas divagações sobre o comunismo:

 

    Quando se pensar em sobre o que é ser comunista, quase de imediato salta à cabeça das pessoas é o seguinte: o comunismo praticamente não existe, é um regime obscuro, decadente, do século passado, utópico, etc… Mas felizmente há alguns que sabem distinguir as coisas, e vêem-no como um outro sistema económico, uma outra via ou simplesmente uma outra maneira de conduzir a vida em sociedade, e claro, não me refiro a quem é comunista, se por um lado a maioria dos “não-comunistas” estigmatiza o comunismo, por outro há inúmeros que conseguem ver nele alguns pontos fortes, mesmo quem siga somente à direita. Então o que é ser comunista? Quando digo a alguém que sou comunista, muitos olham para mim e fazem aquela cara de conhecedores da vida, e dizem, “isso é só uma fase”! Bem, ainda não prevejo o futuro, mas não me vejo a “fugir” a esta ideologia… Pelo menos de forma brusca, como certas pessoas o fizeram. Mas como dizia, olham-me como uma pessoa do contra, se calhar é verdade, há muitas coisas que sou contra e poucas que sou a favor, mas enfim, o que penso é que neste país, já se perdeu o espírito da autêntica liberdade, dos dias seguintes ao 25 de Abril, da reforma agrária, das nacionalizações e das grandes manifestações. Hoje ninguém se preocupa com o outro, para que ir às manifestações se os bufos contam tudo, para quê ser solidário para com os trabalhadores das fábricas a fechar, para quê refilar se ninguém ouve, ??? Não a mim não me conformam, apenas tenho pena de “irritar” as pessoas que passam ao pé de mim, e de lhes falar um cento de vezes, nos podres do regime, da bagunça do governo. Aeroportos, tratados, enfim… coisas inúteis num país à beira do colapso onde o salário real decresce e o salário mínimo nacional são 84 contos e quinhentos. Mas enfim, que apenas estes me oiçam, se de certo, alguma coisa há de se espalhar espero eu, enquanto o Latim não me faltar sempre dá para juntar ao Inglês técnico que graça por este país fora. É moderno… É moderno, dizem todos, o futuro agora é ignorarmo-nos mutuamente, ver pessoas a pedir e a serem despedidas, é moderno ser capitalista, jogar na bolsa, ter acções disto e daquilo, que ao fim e ao cabo dispersar-se hão por entre os casacos e gravatas comprados nos chineses às escondidas das outras pessoas (para não parecer mal), e que depois desvalorizam e lá se vão mais uns trocos enquanto o Sr. Berardo arrecada mais uns milhões. É tudo moderno! Ser-se cego e fingir tudo é o futuro, a modernidade de amanhã hoje.

    É por isso que sou comuna, dizer não a este egoísmo, às vendas para os olhos da SIC entre outros. Dizer não até que a voz me doa. Para provar que em Portugal ainda se fazem portugueses!

    Eu o fiz escrever aos 17 dias de Dezembro do ano de 2007.





O papel do Estado no ensino.

4 09 2007

    Uma vez mais a Sr.ª. Ministra da Educação, vem presentear-nos com o discurso socrático de que o governo dá mais um importante passo na consolidação do ensino em Portugal. Depois de se avançar para a mercantilização do ensino, vem o governo do PS, afirmar que quer duplicar até 2009 abrangidos pela acção social escolar, segundo a ministra, a maioria dos alunos não ingressava no secundário por razões económicas e desajustamento das ofertas no ensino aos alunos. Prometendo o alargamento dos cursos tecnológicos e profissionais e com mais apoios aos alunos.

    Um discurso já antes proferido pelo PSD, e até por outros socialistas. Até quando terão os alunos e professores de o ouvir? Em Portugal o ensino está mal organizado, quer em termos pedagógicos, como em oferta de cursos, métodos errados de ensino e programação, aliados às carências económicas de um dos países mais pobres da Europa, leva ao fraco aproveitamento e abandono escolar. Situação adversa para o avanço económico. Neste caso podemos afirmar que, no caso do ensino, o Estado leva nota negativa neste ponto, bem como em outras áreas. O governo de José Sócrates, diz querer implementar um plano de simplificação com base nas novas tecnologias, como o simplex que se revela cada vez mais complicadex, para a maioria da população, é impossível a um país progredir economicamente, socialmente e intelectualmente, com o sistema de ensino como o que existe em Portugal. O Estado vangloria-se com medidas que supostamente promovem o avanço tecnológico, mas o que se vê na prática, são, agricultores a serem obrigados a pedir os apoios via internet sem que a maioria tenha visto um computador, no geral o suposto avanço da utilização da tecnologia contrasta com um mau aproveitamento escolar.

    O Estado desmarcou-se das suas obrigações enquanto garante das gerações futuras e da sua educação, para um país em que o rendimento per capita é o mais baixo da Europa Ocidental, as famílias têm de gastar cerca de 500 euros para o ensino, isto se tiverem um filho em idade escolar, os subsídios são parcos e os manuais são autênticas colectas para as editoras, pois não permitem a sua utilização por mais anos.

    O Estado deve garantir: um ensino gratuito a todos os alunos, no que diz respeito às propinas, material e livros escolares. Um ensino uniformizado baseado no pensamento crítico em detrimento da memorização pura e simples, onde os programas não estejam constantemente a mudar, ou seja a estabilização do ensino e a sua gratuitidade. O Estado deve ainda apoiar programas de pesquisa e desenvolvimento no âmbito das universidades, podendo daí até fazer uso dos possíveis avanços nos diferentes campos académicos nomeadamente. O Estado ao apostar nas ciências, estão não só a contribuir para uma formação bem como para o fomento tecnológico em Portugal.

    Para ver todas estas medidas em prática o Estado deve por mãos à obra, trabalhando para modificar comportamentos abusivos por parte do capital a médio prazo e na total reforma do ensino a longo prazo, centralizando, apoiando e garantindo o ensino gratuito à população, sem custos adicionais. Ao invés de fazer declarações repetitivas dogmáticas de que está na realidade a fazer alguma coisa.





A Banca e a crise.

31 08 2007

    Por que razão, conseguem as instituições financeiras proceder a obras de maior envergadura e remodelações profundas em tempo de crise?

    Aqui em Tomar, nos últimos anos, viu-se um aumento do número de bancos e nas suas intervenções, de tal maneira que já não se conhecem os edifícios interiormente. Alterações em na cidade de Tomar no que respeita a instituições bancárias:

    Remodelação de uma sucursal do Banco Comercial Português.

    Remodelação da sucursal do Banco Espírito Santo.

    Transformação das sucursais do Banco Nova Rede, Banco Português do Atlântico, em sucursais do Banco Comercial Português.

    Transformação da sucursal do Banco Nacional Ultramarino na sucursal da Caixa Geral de Depósitos.

    Transformação das sucursais do Crédito Predial Português e Banco Totta e Açores, em sucursais do Banco Santader Totta.

    Abertura da sucursal do Banco Internacional do Funchal.

    Abertura da sucursal do Banco Nacional de Crédito Imobiliário.

    Transformação da sucursal do Banco Nacional de Crédito Imobiliário em sucursal do Banco popular.

    Abertura da sucursal do Barclays Bank.

    Abertura do Finibanco.

    Peno não me estar a esquecer de mais alguma mudança. Para dar a ideia vou descrever todas as sucursais de Bancos existentes em Tomar, numa cidade de 20.000 habitantes:

Banco Comercial Português (3 sucursais)

Banco Espírito Santo (2 sucursais)

Banco Internacional do Funchal

Banco Popular

Banco português de Investimentos

Banco Português de Negócios

Banco Santander Totta (2 sucursais)

Barclays Bank

Caixa de Crédito Agrícola do Ribatejo Norte

Caixa de Crédito Agrícola Mutuo

Caixa Geral de Depósitos (3 sucursais)

Finibanco

Montepio Geral

Existem na cidade 12 Bancos e 18 Sucursais, para 20.000 pessoas. Haja dinheiro !

 
A mais recente aquisição bancária de Tomar! Abre segunda-feira!





Economia

30 08 2007

    Hoje em dia, o mundo é regido pela interacção entre produtores, distribuidores e consumidores, realizada sobre a forma de mercado, não o edifício mas a transacção em si, onde compradores e vendedores cruzam os seus interesses, a sociedade tende a desprezar a moeda embora deseje possui-la, e por arrasto tudo que diz respeito à economia é visto como algo que providencia a riqueza a uns em detrimento de outros. Mas a economia enquanto ciência é muito mais do que aparenta, o mal da sociedade e da injustiça na distribuição não é a economia que emana, é o sistema económico. Com efeito, poderemos falar na história da moeda, desde o início o Homem sempre teve necessidades e sempre teve de as satisfazer, sendo a Humanidade uma espécie social, organizada na vida em colectivo, o Homem aprendeu a viver numa comunidade sujeito às regras gerais da sociedade onde se insere, até aí tudo bem. As primeiras comunidades tornaram-se sedentárias e a desenvolver outras actividades, nomeadamente o aperfeiçoamento das técnicas quer de caça quer agrícolas, para isso era necessário a produção de utensílios, ao longo dos tempos o Homem foi aperfeiçoando-se e nasciam as actividades não ligadas à obtenção de alimento. Inicia-se a troca dentro da comunidade [Bem – Bem]. Numa fase mais avançada o volume de objectos dados e mais tarde os serviços realizados temem contrapartida de ser pagos, trocam-se bens (todo e qualquer objecto) e serviços, mas torna-se cada vez mais impossível satisfazer tão grande variedade de interesses, porque afinal, para conseguir o que se quer não basta dirigir a que os forneça era necessário que quem os fornecesse também quisesse o que nós teríamos para oferecer em troca. O Homem “aprendeu” que se houvesse um bem que fosse generalizado e que todos o aceitariam não seria necessário haver um total acordo de interesse. Para esse papel foram usados o sal entre outros bens valiosos até que os metais preciosos se encarregam dessa tarefa, estava idealizada a troca indirecta [Bem – Dinheiro – Bem]. A partir daí segue o rumo da moeda. Até aos nossos dias, em que cada um dos intervenientes do processo realiza sempre uma troca indirecta, produz-se vende-se (troca por dinheiro) e com o lucro compra-se (troca do novo bem pelo dinheiro ganho). A diferença reside no sentido de que hoje quase nem usamos a moeda metálica, usamos cartões, cheques transferências electrónicas, etc., mas a essência continua.

    Depois desta breve discrição deste inevitável procedimento podemos encontrar dois sistemas vigentes no mundo, que assentam ambos no troca e na venda), o sistema capitalista, e o sistema comunista.

No sistema capitalista o indivíduo que dispuser de mais recursos consegue atrair a si mais influência e mas capital, pois a distribuição não é controlada e frequentemente as empresas como uma sociedade muito maior e mais forte que um indivíduo singular, controla os sectores mais importantes e faz prevalecer a sua vontade sobre o trabalhador, da seguinte maneira: as empresas são limitadas, os trabalhadores são muitos, se um protestar contra o baixo salário, outro em piores condições aparecerá, visto que continua a receber menos, mas sempre é melhor que nada. O Capitalismo propícia a exploração e a opressão, torna mais rico os mais ricos e pobre os mais pobres. A capacidade dos grandes grupos económicos é tão avassaladora que em pouco tempo controlam os media tornando-se seus proprietários e em último caso o próprio estado, abafando mais os estratos mais baixos da sociedade, privando-os de voz audível nos media por si controlados e retirando-lhe a protecção estatal.

No sistema comunista, o Estado é o grande proprietário, sendo o Estado a representatividade social, não tem dono. A propriedade privada é controlada, ou seja, impede-se a formação de grandes grupos privados e a acumulação num mesmo indivíduo de grandes quantidades de capital, a riqueza é distribuída pelo estado não em função dos recursos acumulados pelos indivíduos, mas pelas suas necessidades, assim previne-se que quem tenha mais receba mais que quem tenha mesma, previne-se a usurpação do Estado, e que o indivíduo esteja sujeito às pressões das corporações, é ensaiado o monopolismo estatal, que não beneficia a ninguém, e ninguém detém poder económico suficiente para controlar os media e principalmente o Estado. Mantendo-se o critério imparcial do Estado perante a igualdade dos indivíduos, assente na democracia [ditadura do proletariado].

No que diz respeito ao tão afamado conceito da ditadura do proletariado, na minha opinião penso que está errado, pois o Estado e a vivência em democracia necessitam de um parlamento pluripartidário, como forma de enriquecimento da sua própria experiência, e julgo que nenhum partido comunista que ganhasse as eleições iria tentar instaurar uma ditadura.